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02 / 04 / 2021

“Vir para cá significou dar muitos passos em frente”

“Vir para cá significou dar muitos passos em frente”

Nuno Pereira fala da experiência da estreia em Guimarães

As portas do castelo abriram-se, pela primeira vez, em julho de 2020. Num ano atípico para o futebol e todas as modalidades desportivas, quis o destino que Nuno Pereira marcasse então o seu mais importante golo: o contrato com o Vitória SC. O médio, natural de Esposende, aceitou abandonar a sua zona de conforto, despedir-se do mar e abraçar com toda a força o maior desafio da sua – ainda curta – carreira.  

Naturalmente feliz pela oportunidade “única”, Nuno Pereira reconhece, no entanto, a influência do seu passado recente na forma como hoje vive o seu trabalho. É, por isso, que o jovem atleta fala com orgulho da primeira experiência no Campeonato de Portugal (CP). “Terminei a formação e fui para o Cerveira no primeiro ano de sénior. Confesso que aquela foi a melhor opção que recebi e, mais tarde, percebi ter sido a mais acertada porque foi importante conhecer a realidade do futebol sénior. No início, as coisas não me correram bem mas comecei a jogar e fiz uma metade da época muito positiva. Quando surgiu a possibilidade de vir para aqui, pensei de imediato: dei um passo atrás para dar muitos à frente”, contou.

O respeito pelo Cerveira é intocável e Nuno faz questão de o referir por diversas vezes. O jogador, de apenas 20 anos, lembra as dificuldades do primeiro ano no futebol profissional. “Nós treinávamos às 20 horas, então eu chegava a casa por volta das 23. Como não tinha carta, vinha na carrinha do clube e a viagem durava cerca de 45 minutos. Foi um período difícil e cansativo, até porque no dia seguinte tinha de acordar cedo para ir para a Universidade mas acho que nós só crescemos nas adversidades. Ter passado por isso faz-me ser ainda mais grato às condições que tenho aqui no Vitória”, atestou.

“Queremos ficar o mais acima possível”

A estreia no CP antecedeu a vinda para o Vitória SC, pelo que permitiu ao jogador trazer já na bagagem uma experiência neste “competitivo” campeonato. Com apenas 20 anos, Nuno Pereira foi atuando nas duas equipas (B e Sub23), estando agora inserido no grupo de Bino Maçães, que irá medir forças com o Rio Ave FC na penúltima jornada da Série B. “Temos de vencer já no sábado para garantirmos matematicamente o apuramento e porque, claro está, queremos ficar o mais acima possível. Esta série é realmente muito competitiva, a equipa passou por alguns momentos difíceis, mas é isso que nos leva ao sucesso. No entanto, reconheço que, na maioria dos empates – e nós tivemos muitos – faltou-nos aquela pontinha de sorte que outras equipas da nossa série têm”, afirmou. Numa série “difícil”, a equipa vitoriana acabaria por destacar-se em alguns números. A posse de bola foi um deles. “Somos a equipa com mais posse de bola de todas as séries e isso quer dizer que tentamos sempre assumir o jogo, procurar praticar um bom futebol e tratar bem a bola. O mister procura incutir-nos essa ideia de procurar sempre jogar bem”, acrescentou.

“O Vitória dá-nos a possibilidade de crescer”

Com apenas 20 anos, Nuno Pereira foi um dos jogadores que mais viagens fez entre os B e os Sub23. Depois da pré-época no escalão mais velho, o estudante de Solicitadoria cumpriu alguns jogos na Liga Revelação. O tempo foi seu amigo e Nuno soube ser paciente. “Quando aqui cheguei, senti uma mudança muito grande em termos de ritmo de treino. Olhava para mim e para os meus colegas e sabia que ainda não era o Nuno que eu queria ser mas, felizmente, o Vitória dá-nos a possibilidade de crescer e pude fazê-lo nos Sub23. O meu objetivo imediato é cimentar uma posição na equipa B. O meu sonho é fazer disto vida para poder ajudar a minha família”, confessou.

Viver do e para o futebol é o objetivo de todos. Há, no entanto, quem apresente um plano B na manga. Inteligente e responsável, este estudante universitário vive focado na bola mas os livros continuam na prateleira para aquele que será o último ano de curso. “Sempre fui ambicioso e quando estava no Gil Vicente achava que o meu futuro podia passar por ali, então optei por seguir Solicitadoria no IPCA. Queria algo que me permitisse jogar e estudar na mesma cidade. Não me arrependo da escolha, e já só me falta um ano, mas não me imagino a trabalhar nesta área no futuro. Mas eu também quero é estar no futebol por muitos e bons anos (risos)”, concluiu.

“Vir para cá significou dar muitos passos em frente”