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22 / 11 / 2020

“Sinto-me um privilegiado”

“Sinto-me um privilegiado”

André Amaro está a ganhar o seu espaço na equipa B

O momento pandémico que atravessamos retirou dos relvados vários jovens que estão ainda à procura de um lugar ao sol. Com os campeonatos de formação parados, os mais novos evoluem nos treinos, com a esperança do regresso à competição. É, também por isso, que André Amaro se considera um “privilegiado”. O jovem defesa vitoriano deveria estar a cumprir o segundo ano de Sub-19 mas “queimou etapas” no processo. Chamado em Maio para treinar com a equipa B – aquando do regresso pós-covid – Amaro aproveitou a oportunidade para se mostrar. O próprio admite que “deu tudo” para mostrar o seu valor e parece tê-lo conseguido. A equipa técnica liderada por Bino Maçães ficou convencida com as capacidades do jovem central e convocou-o para o regresso em Agosto.

Desde aí, Amaro tem feito por merecer a chamada e é hoje um dos titulares da equipa. “Aquele período depois da paragem forçada em Março foi fundamental para mim. Quando subimos para treinar numa equipa queremos sempre mostrar e dar tudo. Foi o que eu fiz, procurei mostrar aquilo que poderia dar à equipa e acho que convenci o mister. Confesso que superei as minhas próprias expectativas. Tive sorte em começar com a equipa B mas também sabia que a partir daí tudo iria depender de mim e do meu trabalho”, contou.

Com apenas 18 anos, o miúdo, que não gosta de ser apelidado assim, tem vindo a ganhar o seu espaço e admite a evolução nos últimos meses. “Uma das coisas que me faltava era comunicar mais com a equipa e procurei evoluir nesse aspeto. Sei que vai parecer frase feita mas a verdade é que o grupo é fantástico e ao fim de duas, três semanas, já nos sentimos como família e isso ajudou imenso a que me soltasse mais”, elogiou.

Amaro é um dos vários exemplos jovens que compõem o plantel da equipa B. Um cenário não tão comum no Campeonato de Portugal. “A competição é que nos dá experiência. E há erros que cometemos que servirão para estarmos melhores no futuro. Se calhar quando voltarmos a estar a ganhar por 1-0 já não agiremos como no jogo com o Pevidém. Aprendemos com os erros que cometemos ali e é isso que nos dá experiência. Se fores mais velho mas não jogares, não competires, nunca irás ser um jogador experiente. Eu considero que estamos no caminho certo. Estamos a jogar bem e, como diz o mister, assim estamos sempre mais perto de ganhar. E nós queremos muito ganhar e crescer porque só assim também estaremos mais perto de chegar à equipa A”, explicou.

A ambição de mãos dadas com o compromisso

Dedicado e responsável, Amaro é igualmente ambicioso. Uma ambição que nada tem que ver com vaidade ou ilusão. O jovem, natural de Coimbra, é exigente consigo próprio e, por isso, quer sempre mais e melhor. O retrato é feito pelo próprio e confirmado pelos companheiros: “Eu nunca estou satisfeito. Sou júnior, podia estar a bater palmas por estar na equipa B mas não relaxo. Às vezes, até acho que sou demasiado exigente comigo mesmo porque parece que nem consigo usufruir dos bons momentos e das vitórias. Estou sempre a querer crescer e perceber onde falhei para melhorar. Penso que também é por ter este feitio que tenho conseguido queimar etapas”, desabafou.

A Engenharia ali tão perto

A viver em Guimarães há três anos, Amaro completou o ensino secundário já na cidade-berço. Com a vontade de “estudar” sempre presente, o central deu continuidade ao jogo dos números e frequenta o curso de Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação, na Universidade do Minho: “Eu queria dar continuidade à escola e se até agora consegui conciliar então pensei que iria conseguir fazê-lo na Universidade. Escolhi este curso porque, além de existir numa universidade perto de minha casa, é algo sempre atual e com procura. Acho fundamental ter outra ocupação além do futebol. Só precisamos de ser organizados. Prefiro estar a estudar, a fazer algo produtivo do que estar a ocupar a cabeça com futilidades. Isto não quer dizer que não confie no plano A, que é ser jogador de futebol, mas acho que nos dias de hoje é muito importante termos outras bases”.

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