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22 / 04 / 2021

“Sempre acreditei que chegaria à equipa B”

“Sempre acreditei que chegaria à equipa B”

Guilherme Guedes vai participar na fase de acesso à Liga 3

 

É um dos nomeados para melhor jogador da Liga Revelação e o seu talento foi pressuposto natural para a sua integração na votação. Gui é dos craques que não engana e a qualidade individual, demonstrada no meio-campo, é acompanhada pelo equilíbrio e inteligência que também o caracterizam.

A um ano de completar uma década de rei ao peito, Guilherme Guedes, natural de Santa Marta de Penaguião, confunde a sua vida com a do Vitória. Ainda com idade de júnior, o atleta foi um dos mais utilizados nos Sub-23, integrando atualmente os trabalhos da equipa B. Na despedida da Série B, o médio mereceu um lugar no onze, que o deixou “muito feliz”. “Eu sempre tive um feeling que iria chegar à equipa B ainda esta época. Estava à espera deste momento e acho que mereço porque dedico-me muito ao treino. Ter começado nos Sub-23 foi extremamente positivo para mim, aliás, penso que a nível individual posso dizer que a época se revelou muito positiva”, começou por dizer.

Gui chega à equipa B “na fase mais importante da época” e, em vésperas da estreia vitoriana no Play-off, o jogador mostra-se otimista no que aí vem. “A equipa B fez um bom trabalho até agora e eu quero ajudar a dar continuidade aos bons resultados. A nossa motivação é só uma, a de seguir para a Liga 3. Temos de ser sempre os favoritos a ganhar os jogos, porque só assim fará sentido”, atestou, assumindo depois os seus objetivos pessoais: “Estar com este grupo na fase final é uma oportunidade que eu quero agarrar e assim dar a garantia de que podem contar comigo na próxima época. Além disso, irei lidar com dificuldades que não encontrei na Liga Revelação porque este campeonato é diferente, as equipas são mais experientes, fecham-se mais mas aí a nossa criatividade terá de vir ao de cima”.

Integrado na equipa B, o médio internacional irá despedir-se, para já, de um adereço que o tem acompanhado nos últimos anos. Mas, diz o próprio, que a braçadeira está “muito bem entregue”. “É verdade que nas últimas épocas tenho sido o capitão, aliás, até parece que a braçadeira já fazia parte do equipamento (risos). No entanto, na equipa B, o jogador que mais vezes a usa é alguém que aprecio muito. Sempre ouvi falar muito bem do Handel e agora que partilho o balneário com ele posso comprovar tudo aquilo que me foram dizendo. Além disso, é um jogador com muita qualidade. Espero poder jogar com ele, até porque ele não perde uma bola e isso dá mais conforto a quem está mais à frente. Qualquer jogador na minha posição se sentirá mais confortável se tiver um Handel atrás no terreno”, comentou.

Talento. Responsabilidade. E resiliência.

Tinha apenas 10 anos quando fez a primeira viagem para Guimarães. A participação num torneio de futebol 7 foi o ponto de partida para uma mudança radical no seu dia-a-dia. Os cinco golos apontados despertaram a atenção dos responsáveis vitorianos, que perceberam ali o talento do então extremo. A decisão de vestir de rei ao peito foi tomada na hora mas os sacrifícios só se fizeram sentir mais tarde. Gui lembra, na primeira pessoa, o esforço e a capacidade de superação que o trouxeram até aqui. “Eu vivo em Guimarães há dois anos. Até 2019, eu vinha de Santa Marta de Penaguião para treinar e voltava para casa no final do treino. Nos primeiros anos, os treinos eram ao final da tarde então era ainda mais complicado. Saía da escola e vinha logo para cá, chegando a casa por volta das 23h30, meia-noite. E no dia seguinte, a mesma coisa. Eu e os meus pais sempre acreditamos que esses sacrifícios iriam valer a pena e por isso é que os fizemos. Por vezes, eu ficava mais cansado ou desanimado, mas eles, e o meu irmão, nunca me deixaram desistir”, contou.

E Gui nunca desistiu. Do futebol e dos estudos. O jovem, que completou 19 nos no corrente mês, está inscrito no curso de Gestão, em Viana do Castelo, porque “é fundamental termos um plano B”. Guilherme Guedes espera não precisar do segundo plano para já e está totalmente focado em fazer valer a opção A: “continuar a evoluir e estrear-me no D. Afonso Henriques na época em que faço 10 anos de Vitória”.       

“Sempre acreditei que chegaria à equipa B”