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06 / 03 / 2021

“Passei por dificuldades mas hoje sou grato pela vida que tenho”

“Passei por dificuldades mas hoje sou grato pela vida que tenho”

Da tempestade à bonança, Hugo Cardoso apresenta-se aos vitorianos

A vida de um futebolista é, diversas vezes, desejada pelo mais comum cidadão. Por paixão própria ou influência e pressão dos progenitores, as crianças enveredam pelo caminho da bola em busca da fama e do dinheiro. Mas nem sempre o passado de um atleta é sustentado em vivências perfeitas e são as dificuldades que fazem com que o caráter e a personalidade se reconstruam. É este o entender de Hugo Cardoso. O avançado da equipa B tem um período de formação pouco normal. Aos 13 anos, emigrou para Inglaterra, onde esteve durante cinco anos. A viagem de ida foi feita com a companhia da mãe mas no regresso foi apenas necessário um bilhete. A história é contada pelo próprio: “A minha mãe decidiu emigrar para Inglaterra, onde já viviam lá alguns familiares nossos e eu tive de sair do Belenenses. No primeiro ano em Londres, não pude jogar por causa dos papéis mas depois estive quatro anos no Queens Park Rangers. Quando terminei o contrato, fiz captações na Suiça e até no Chile, mas acabei por vir novamente para Portugal”.

Sobre o período em terras de Sua Majestade, Hugo Cardoso reconhece que nem todos usam coroa e que a vida pode, por vezes, “trazer-nos alguns momentos mais difíceis”. “A minha mãe trabalhava mas era o único rendimento em casa então eu tive de trabalhar para poder ajudar nas despesas. Com 16 anos, estive durante um mês a fazer limpezas e ainda bem que o fiz. Ter passado por algumas coisas que passei fez com que me tornasse uma pessoa mais grata àquilo que tenho. Além disso, ter recomeçado do zero no Aljustrense, quando voltei a Portugal, também me ajudou a perceber que há realidades bem diferentes daquela que eu vivia no Rangers. Passei mal em alguns momentos mas, felizmente, hoje estou numa situação muito melhor”, desabafou.

Depois de passar por alguns momentos de tempestade, o jovem de descendência cabo-verdiana procura a bonança no Vitória SC. A lesão, que finalmente tratou em Guimarães, impediu-o de dar o contributo à equipa logo nos primeiros jogos mas o jogador parece estar de volta na máxima força. “Eu já tinha aquela lesão há quatro anos mas foram sempre gerindo, nunca parei para tratar definitivamente e isso foi agravando a situação. Eu treinava e jogava com muitas dores até que aqui, no Vitória, falei com o fisioterapeuta João - a quem agradeço tudo aquilo que fez por mim - e entenderam que o melhor seria parar. Fiz tratamento durante cerca de quatro meses e hoje estou muito melhor”,agradeceu.

O jogador sente-se preparado para ajudar a equipa com exibições e golos e promete melhor finalização nos próximos jogos. No último encontro, diante do Tirsense, Hugo Cardoso foi um dos mais perdulários, explicando agora o momento do remate ineficaz: “Até me custa lembrar esse lance. Eu só queria encostar porque aquilo estava mesmo fácil para marcar mas a bola saltou e eu falhei. Fiquei mesmo triste, mesmo frustrado porque entrei e aquele seria o meu primeiro golo mas já passou e agora estou a trabalhar bem para voltar a merecer a chamada do mister. Eu penso que ninguém tem nada a apontar-me ao nível da entrega e do empenho. Se hoje dei 100 por cento no treino, amanhã vou querer dar 110”.

“Fase importante para os objetivos”

A quatro jornadas do final da primeira fase, a Série B está ao rubro no que diz respeito ao apuramento para o Play-off. A “competitividade” da série foi sempre um dos temas abordados e também para Hugo Cardoso “este é o grupo mais difícil”. O jogador acredita que o triunfo vai sorrir aos vitorianos no próximo duelo se “finalizarmos melhor”. “Vem aí uma fase de jogos difíceis, com adversários que têm os mesmos objetivos. O último triunfo deu confiança porque conseguimos finalizar, pelo menos, duas oportunidades. Ainda assim, continuamos a desperdiçar muito e é isso que não pode acontecer. Este período sem vitórias foi uma grande injustiça porque a equipa jogava bem, jogava melhor mas não conseguia marcar, enquanto os nossos adversários iam uma vez à nossa baliza e faziam golo. Para a partida com o Fafe, teremos de estar atentos às bolas paradas que é um dos momentos de jogo em que eles são fortes, aliás, como provou o jogo da primeira volta”, lembrou.

O look arrojado e falacioso

É certo e sabido que uma imagem vale mais do que mil palavras mas também já todos perceberam, em algum momento das suas vidas, que a imagem pode, por vezes, levar a conclusões precipitadas e erradas. Que o diga Hugo Cardoso. O look que apresenta e o cabelo rastafári leva, muitas vezes, a juízos de valor errados. “Sinto muitas vezes que as pessoas olham para mim, vêm-me com rastas, com este estilo tranquilo, meio abandalhado, e acham que sou reguila ou até irresponsável. Mas sou o oposto. Sou um rapaz calmo, responsável, focado e muito disciplinado. As aparências iludem e ainda bem que aqui pude mostrar isso mesmo”, contou.

“Passei por dificuldades mas hoje sou grato pela vida que tenho”